Angel Di Maria abriu o jogo sobre sua passagem frustrante pelo Manchester United, destacando o relacionamento difícil com o ex-treinador Louis van Gaal como um dos principais fatores que comprometeram sua experiência na Premier League. Contratado por uma quantia recorde de £ 60 milhões, o argentino chegou ao Old Trafford com grandes expectativas após uma temporada de sucesso no Real Madrid e uma participação marcante na Copa do Mundo pela Argentina. No entanto, ao longo de sua única temporada pelo clube inglês, as dificuldades acabaram pesando e levaram Di Maria a buscar uma saída precoce.

A frustrante temporada de Di Maria no United
Di Maria iniciou sua trajetória no Manchester United de forma promissora, com destaque para uma estreia impactante em casa contra o Queens Park Rangers, quando marcou um gol e deu uma assistência na goleada por 4 a 0. Na sequência, marcou e deu assistência contra o Leicester City, apesar da derrota por 5 a 3. Ele voltou a balançar as redes na sétima partida diante do Everton. Entretanto, após esse bom começo, o desempenho do argentino caiu significativamente, refletindo em apenas mais um gol ao longo do restante da temporada. Ao todo, ele terminou sua passagem pelo clube com quatro gols e 11 assistências em 32 jogos.

Além dos desafios em campo, Di Maria e sua família enfrentaram momentos complicados fora dos gramados, incluindo um incidente traumático quando sua casa foi invadida por ladrões enquanto estavam presentes. No entanto, o principal motivo para o fracasso e o desejo de deixar o clube estava relacionado à relação conturbada com Van Gaal, que tinha um estilo de comando rigoroso e focado sobretudo nos erros do atacante.

Di Maria: Van Gaal focava apenas nos erros
Em depoimentos concedidos para o documentário “Angel di Maria: Breaking down the Wall”, produzido pela Netflix, o argentino revelou que o treinador não reconhecia suas contribuições ofensivas. “Estávamos ganhando, eu estava dando assistências e marcando gols, mas ele não mencionou isso. Ele só queria falar sobre os erros. Identificar e aprender com os erros é fundamental, é claro. Mas, dada a minha posição como atacante, é inevitável cometer erros, porque estou sempre tentando. Meu trabalho é sempre buscar uma assistência ou chutar a gol.”, declarou Di Maria.
Herrera comenta sobre ambiente difícil
O ex-companheiro de time Ander Herrera também falou sobre o ambiente difícil na temporada de Di Maria no United, enfatizando o estilo crítico do treinador Louis van Gaal. “Van Gaal era o tipo de treinador que era muito crítico ao analisar as ações dos seus jogadores. E achei surpreendente que ele considerasse inaceitável que Angel cometesse três ou quatro erros por jogo. Chegou a um ponto em que as coisas ficaram fora de controle. Em comparação com todos os outros jogadores da equipe, parecia que o técnico estava sendo muito mais rigoroso com ele. No final das contas, acho que todas as críticas acabaram minando a confiança de Angel”, refletiu Herrera.
Dificuldades pessoais e pressão intensa
Além da pressão profissional, Di Maria enfrentou sérios problemas na adaptação à cidade de Manchester e à vida fora dos gramados. A esposa do jogador, Jorgelina Cardoso, nunca gostou da ideia de morar na cidade, tendo expressado insatisfação logo após uma visita feita à residência do amigo e então jogador do rival Manchester City, Sergio Aguero. Ela descreveu a cidade como um lugar difícil e pouco acolhedor, destacando a sensação de insegurança ao andar pelas ruas.
O argentino ressaltou a enorme pressão que sentiu desde que chegou ao clube, especialmente pelo impacto de sua contratação no mercado, que o transformou no jogador com maior venda de camisas no começo da temporada. “Na verdade, aquele ano foi uma m****”, resumiu ele de forma contundente, mostrando a difícil experiência vivida durante sua única temporada na Inglaterra.
Superação após o período turbulento
Apesar da experiência negativa no Manchester United, Di Maria conseguiu reconstruir sua carreira com sucesso no Paris Saint-Germain, onde passou sete anos contribuindo de forma significativa com 92 gols e 120 assistências, além de conquistar diversos títulos. Ainda brilhou na seleção argentina, conquistando três troféus consecutivos, incluindo duas edições da Copa América, em 2021 e 2024, além do auge de sua carreira ao vencer a Copa do Mundo, anotando na final contra a França.
Aos 38 anos, o jogador está atualmente encerrando sua carreira no clube de sua infância, o Rosario Central, na Argentina, onde tudo começou. Sua trajetória é marcada por altos e baixos, mas sempre com superação e resiliência, mesmo após o difícil período vivido no Manchester United sob o comando de Van Gaal.
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