Ex-jogador do Manchester United Aarron Wan-Bissaka fala sobre saudade após contratação de £50 mi

Aarron Wan-Bissaka, ex-lateral-direito do Manchester United, abriu o jogo sobre o período difícil que viveu quando se transferiu para os Red Devils em 2019, em uma negociação avaliada em 50 milhões de libras. Em entrevista reveladora ao The Daily Mail, o jogador contou como enfrentou uma difícil adaptação à nova rotina longe da família e amigos que deixou em Londres.

Wan-Bissaka chegou ao Manchester United após se destacar no Crystal Palace e logo foi alvo de grandes expectativas. Durante suas cinco temporadas no clube, participou de 190 jogos e conquistou títulos importantes, como a Carabao Cup em 2023 e a FA Cup em 2024. Contudo, ele admitiu que os primeiros meses foram marcados por uma profunda sensação de solidão e desconforto social, influenciando diretamente seu bem-estar fora dos gramados.

Uma transição difícil

Em suas palavras, Wan-Bissaka descreveu o início no United como o “pior momento da minha vida”. O zagueiro revelou que a saudade da família e dos amigos era algo constante e que, nos passos da programação diária, tentava pelo menos manter certa proximidade com seus entes queridos. Para isso, pegava o trem quase diariamente para Londres, uma viagem de aproximadamente duas horas, considerada “exaustiva” pelo atleta.

Essa rotina de deslocamentos acabava sendo pesada e ele precisou tomar a difícil decisão de interrompê-la para focar melhor na carreira e descansar. Mesmo assim, os dias iniciais eram passados em casa sozinho, jogando videogame até a hora de dormir. “Eu sofri muito”, afirmou o jogador, ressaltando que a falta de pessoas conhecidas em seu entorno pesava em seu estado emocional.

Dificuldades com o técnico e pressão constante

Outro desafio no United foi a relação conturbada com o técnico Erik ten Hag, que assumiu o time em 2022. Wan-Bissaka explicou que, ao chegar, o treinador inicialmente o informou não fazer parte dos planos, mas depois passou a querer mantê-lo no elenco, um cenário confuso que mexeu com sua cabeça. Confrontado com essa incerteza, o brasileiro-britânico precisou manter o foco nos treinamentos e trabalhar duro para evoluir, mesmo sem uma perspectiva clara de jogar regularmente.

Essa fase exigiu força mental, já que era difícil se manter motivado treinando sem o objetivo direto de atuar nas partidas. Entretanto, o atleta reconheceu que o ambiente ao seu redor o ajudou a enxergar o caminho e incentivou a persistir. Com o tempo, houve evolução tática e adaptação à filosofia do técnico, o que contribuiu para a melhora em seu desempenho.

Saída do United e novo recomeço no West Ham

Wan-Bissaka passou grande parte do seu período no United disputando posição com Diogo Dalot e, por um curto período, com Ashley Young. Ao todo, foi titular em 120 jogos da Premier League, participando de cerca de 63% dos confrontos possíveis. No entanto, a falta de sequência acabou pesando e, em 2024, o jogador escolheu retornar a Londres para defender o West Ham, em busca de mais minutos em campo e estabilidade.

Apesar da luta da equipe contra o rebaixamento, o jogador afirmou que está mais feliz fora do United. “No West Ham, não é tão intenso... Estou muito feliz com o andamento das coisas. Você provavelmente pode perceber isso pelo meu sorriso todos os dias. Estou jogando com um sorriso também”, declarou. Essa mudança de ambiente tem sido fundamental para seu bem-estar pessoal, aliviando o peso da constante exposição e pressão que vivenciava.

O ex-lateral demonstrou agradecimento à experiência vivida no Manchester United, destacando que os desafios superados ajudaram a moldá-lo, especialmente no aspecto mental. Ele acredita que as dificuldades passaram a fortalecê-lo tanto dentro quanto fora de campo, fazendo dessa trajetória um importante capítulo em sua carreira.

Com essa nova fase no West Ham, Wan-Bissaka espera renovar seu futebol e felicidade, valorizando a proximidade com aqueles que ama e o prazer de vestir a camisa do clube onde se sente mais à vontade.

Tiago Sampaio

Ex-jogador profissional de futsal e editor-chefe do Giro Desportivo. Atua com foco em análise tática, mercado da bola e bastidores do futebol.

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