James Milner, recordista, detalha gravidade da lesão no tornozelo que o afastou por seis meses

James Milner, meio-campista veterano do Brighton & Hove Albion, abriu o jogo sobre a gravidade da lesão no tornozelo que o afastou dos gramados por seis meses. Aos 40 anos, o jogador enfrentou um período crítico na última temporada, quando uma complicação em uma cirurgia de rotina no joelho resultou em uma incapacidade de levantar o pé e os dedos dos pés por meio ano, superando as expectativas iniciais de recuperação que previam apenas algumas semanas de afastamento.

A situação, que poderia ter sido o fim da carreira do atleta, gerou dúvidas até mesmo entre os profissionais envolvidos no tratamento, incluindo cirurgiões e fisioterapeutas, que não acreditavam que Milner conseguiria retornar aos campos no estágio em que se encontrava. No entanto, a determinação do jogador e sua força mental permitiram-lhe superar o desafio. Milner voltou a entrar em campo apenas no último jogo da temporada, participando da vitória do Brighton por 4 a 1 sobre o Tottenham, e desde então tem provado que ainda pode contribuir significativamente ao clube.

O pesadelo das lesões de Milner

Durante um encontro no campo de treinamento do Brighton, Milner refletiu sobre a fase delicada que viveu e o impacto da lesão em sua carreira. Ele destacou que, especialmente para atletas em sua idade, as mudanças podem ocorrer rapidamente no futebol. "Quando olho para onde eu estava no ano passado, sem conseguir levantar o pé por seis meses, acho que a maioria das pessoas, incluindo o cirurgião, o fisioterapeuta e aqueles que entenderam a lesão, achavam que eu estava acabado na minha idade”, comentou Milner.

Apesar disso, o meio-campista revela que seu principal combustível para se manter em atividade foi o desejo de provar que estava longe de encerrar a carreira. “Foi esse desejo de provar que as pessoas estavam erradas que provavelmente significa que ainda estou jogando agora”, disse ele. A superação desse momento difícil, segundo Milner, o fez perceber que ainda pode competir em alto nível e contribuindo para o Brighton, reforçando sua posição e importância no elenco.

Estrela experiente aberta a prolongar a sua estadia em Brighton

Com o contrato prestes a expirar neste verão, James Milner ainda mantém as portas abertas para continuar no clube. Fabian Hurzeler, dirigente do Brighton, tem interesse em renovar com o meia, que se mostrou receptivo à ideia, embora mantenha suas opções em aberto. Milner admitiu que as decisões no futebol são voláteis, principalmente quando se chega a uma idade avançada para a prática esportiva, mas que sua recente participação em mais minutos nas partidas tem provocado uma mudança de pensamento sobre a continuidade no clube.

“Há seis semanas, eu não estava jogando muitos minutos e as coisas não estavam indo muito bem, então você fica frustrado. Mas então joguei mais minutos nos últimos dois jogos e, quando você faz parte de uma vitória, é mais fácil mudar de ideia e dizer: 'Sim, adoraria ficar mais um ano'”, declarou o jogador.

O meio-campista também ressaltou que ainda não houve qualquer conversa formal sobre renovação e que, por enquanto, prefere focar no desempenho diário. “Não tivemos nenhuma conversa, então, obviamente, o clube também tem que estar interessado. Eu disse no início da temporada: vamos chegar a fevereiro e ver onde estamos, e sei que estamos lá agora, então vamos ver o que acontece. Neste momento, estou apenas fazendo meu trabalho todos os dias, e as coisas podem mudar rapidamente”, completou Milner.

Conversa sobre a aposentadoria

A aposentadoria é um tema que se aproxima para Milner, que fará 41 anos no meio da temporada 2026-27, porém o jogador não demonstra medo em relação ao fim da carreira ativa. Segundo ele, ainda gosta de jogar e sente que pode manter um bom nível, mas reconhece que o momento certo para parar é sempre difícil de ser definido.

“Sinto que o lado técnico ao qual fui exposto, em termos do que fiz aqui no ano passado e dos certificados que obtive, me interessa às vezes. Mas Jurgen [Klopp] sempre disse que, quando você encerra a carreira, precisa descansar e fazer uma pausa imediatamente, e acho que isso é bastante atraente neste momento”, revelou Milner.

Durante uma conversa franca, ele comentou que alguns companheiros de equipe o incentivam a continuar por mais tempo, o que mostra o respeito que conquistou ao longo dos anos dentro do grupo, mas destaca que suas decisões consideram múltiplos aspectos, entre ela sua condição física e o desgaste próprio da profissão.

A administração “apela” a Milner

Milner também abordou a possibilidade de atuar na gestão e treinamento após pendurar as chuteiras, um caminho que lhe agrada, mas que ele encara com realismo. O jogador reconhece as dificuldades da profissão, sobretudo pela volatilidade e pressão do mercado, onde treinadores raramente têm tempo para implementar seus projetos, o que torna o ambiente muito intenso e desafiador.

“Às vezes penso: sim, seria ótimo e adoraria deixar minha marca em um time, e acho que poderia fazer isso e aquilo. Mas é um trabalho muito difícil, não é? Quero dizer, é muito difícil. Até mesmo a quantidade de entrevistas que você tem que dar torna o trabalho difícil, e é um trabalho que o seu lado competitivo pensa: sim, eu não me importaria de tentar e assumir”, comentou.

Ele frisou que sua ampla experiência, trabalhando com treinadores renomados e estilos variados ao longo da carreira, poderia ser um diferencial para suas futuras empreitadas no futebol. Por enquanto, contudo, Milner está focado em sua contribuição enquanto jogador do Brighton, esperando que a fase de recuperação e superação da grave lesão sirva de inspiração para outros atletas que enfrentam desafios parecidos.

Tiago Sampaio

Ex-jogador profissional de futsal e editor-chefe do Giro Desportivo. Atua com foco em análise tática, mercado da bola e bastidores do futebol.

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