Jess Park tem se destacado como uma das atacantes mais em forma da Europa nesta temporada, consolidando sua importância no Manchester United e despertando expectativas sobre seu papel na seleção inglesa, as Lionesses. Recentemente, em uma partida decisiva da Liga dos Campeões Feminina, Park foi crucial ao marcar um gol excepcional contra o Atlético de Madrid, ampliando a vantagem agregada para 5 a 0 e garantindo a primeira classificação do United para as quartas de final da competição. Esse desempenho chamou a atenção de muitos, inclusive do técnico do Manchester United, Marc Skinner, que ressaltou a confiança na finalização precisa da jogadora: "Assim que a bola sai do pé dela, você sabe que vai entrar".

Após sua transferência do Manchester City para o United, Park tem vivido a temporada mais produtiva de sua carreira, tanto em gols quanto em assistências. Essa evolução desperta a questão de como Sarina Wiegman, técnica da Inglaterra, pode aproveitar o melhor da forma da atacante para contribuir ao máximo pela seleção nacional em 2026.
Mudança de função
Um ponto importante para Wiegman é definir qual será a posição ideal para Park na seleção. Antes, no Manchester City, a jogadora atuava principalmente como meio-campista central ou na posição de camisa 10, desempenhando um papel mais intermediário tanto no clube quanto na seleção inglesa, onde não era uma peça-chave, tendo participado pouco durante a campanha da Euro 2025. Porém, no Manchester United, Park assumiu um papel mais ofensivo e variável, geralmente jogando pela direita, mas com liberdade para se deslocar para diferentes setores do campo, desde que mantenha a disciplina defensiva.
Essa mudança de posição ocorreu após as movimentações de inverno no United, que trouxeram novos atacantes, mas Park manteve sua versatilidade no ataque, atuando pela direita, esquerda ou centro conforme necessário. A adaptação e flexibilidade têm sido características essenciais para seu sucesso recente.
Difícil de traduzir para a seleção
Mesmo com o excelente desempenho no clube, repassar essa dinâmica para a seleção inglesa não é tarefa simples. O estilo de jogo e a estratégia do Manchester United diferem da abordagem das Lionesses. Além disso, o futebol internacional apresenta desafios distintos ao futebol de clubes, e o técnico Marc Skinner reconheceu essa diferença especialmente em jogos com espaço aberto, como foi o confronto contra o Atlético de Madrid.
Outro fator é a necessidade de uma equipe alinhada para que a liberdade ofensiva de Park seja possível. No nível dos clubes, essa química pode ser construída com tempo e treinamentos, enquanto na seleção a rotina é mais limitada, o que complica a adaptação instantânea de funções táticas tão flexíveis.
Equilibrando a liberdade com o coletivo
Um dilema semelhante ocorre com Lauren James, companheira da seleção e do Chelsea, que nas últimas semanas tem sido beneficiada por uma maior liberdade tática em seu clube, o que resultou em ótimos desempenhos. Na Inglaterra, James já atuou como camisa 10 e recebeu mais liberdade para se movimentar, porém essa liberdade nem sempre resultou no equilíbrio ideal da equipe. Após a derrota para a França na Euro 2025, ela foi deslocada para uma posição mais tradicional no campo para melhorar a organização da defesa, o que levou a uma vitória convincente contra a Holanda.
Portanto, assim como com James, o desafio da Inglaterra é maximizar o talento individual de Park sem comprometer a estrutura tática e a estabilidade da equipe. A flexibilidade de funções pode ser uma arma poderosa, desde que bem administrada pelo treinador.
Forma de voar
A temporada atual já registra números expressivos para Park. Seu melhor desempenho anterior na Superliga Feminina envolvia um total combinado de nove gols e assistências por temporada, porém nesta campanha ela já superou esse número, atingindo dez participações decisivas com seis jogos restantes. Além disso, contribuiu com quatro participações em outras competições, ajudando o Manchester United a avançar à final da Copa da Liga e às quartas da Liga dos Campeões.
O técnico Marc Skinner explicou as mudanças na forma de jogar de Park: no City, sua função era muito específica, mas no United ela tem mais liberdade e movimentação para escapar das marcações e atuar em espaços onde as equipes adversárias não estão preparadas para defendê-la. Esse tipo de mobilidade não só favorece chances de gol para si mesma, mas também cria oportunidades para as companheiras.
Encontrando a fórmula certa para a Inglaterra
Com a ausência de Ella Toone por lesão no próximo ciclo de jogos da Inglaterra, há uma possibilidade maior de Park ser escalada como centroavante, posição que conhece bem e na qual já teve boas atuações pela seleção. A confiança elevadíssima da atacante só aumenta as chances de um desempenho impactante.
Wiegman pode também explorar uma estratégia que permita a Park e Lauren James trocarem de posição e se complementarem, aproveitando a mobilidade e criatividade das duas sem abrir vulnerabilidades defensivas. Para isso, será fundamental um trabalho tático cuidadoso para equilibrar liberdade ofensiva e disciplina defensiva.
Marc Skinner acredita que o desempenho de Park no United pode servir como uma espécie de laboratório para a treinadora inglesa, ajudando-a a entender melhor como explorar o talento da atacante na seleção: "Acho que o teste [da Park] é ótimo. Espero que a Sarina também perceba isso. Ela é uma pessoa inteligente, então tenho certeza de que vai perceber e espero que possamos tirar o melhor proveito dela para a Inglaterra também."
Bom campo de testes para a seleção
A próxima semana oferece um ambiente favorável para Wiegman experimentar diferentes formações e integrar Park em sua melhor função, uma vez que a Inglaterra enfrentará a Ucrânia, favorita em sua partida, e a Islândia em seguida. Nessas partidas, a carga ofensiva será alta, e a flexibilidade criativa da equipe pode ser uma arma importante para ampliar o volume de jogo e os resultados positivos.
Embora essas situações não se apliquem necessariamente a todos os jogos de maior dificuldade, como o confronto contra a Espanha em abril, são oportunidades importantes para o trabalho de preparação e descoberta da melhor forma de aplicar o talento de Jess Park no cenário internacional.
Assim, a atacante do Manchester United segue se destacando na Europa e esbarra agora no desafio de ampliar seu impacto na seleção inglesa, onde a expectativa é que ela se torne peça fundamental das Lionesses em 2026.
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