Manchester City pode enfrentar dedução de 60 pontos por 115 acusações de Fair Play Financeiro

O Manchester City enfrenta uma das maiores crises judiciais de sua história recente, com a possibilidade de ser punido com a dedução de até 60 pontos na Premier League em um caso envolvendo 115 acusações relacionadas ao Fair Play Financeiro (FFP). O processo, que já se arrasta há vários anos, tem gerado grande expectativa e preocupação tanto no clube quanto no futebol inglês, por conta da gravidade das acusações e das consequências que uma eventual condenação poderia acarretar para o futuro do clube.

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Desde o início de 2023, o Manchester City está sob investigação por supostas violações das regras de gestão financeira. Embora uma audiência independente tenha sido concluída ainda em 2024, o veredicto final permanece pendente, aumentando a tensão em torno do clube. Apesar de negar veementemente qualquer infração, a demora na conclusão do processo tem sido considerada um problema, especialmente porque a equipe segue competindo intensamente por títulos nacionais e continentais enquanto aguarda uma decisão que pode abalar todo o cenário.

O longo caminho até o veredicto

Especialistas no assunto apontam que o atraso para a divulgação da decisão se deve, em grande parte, à complexidade do caso. O consultor financeiro do futebol, Kieran Maguire, detalhou que cerca de meio milhão de provas foram apresentadas entre defesa e acusação, um volume de informações que requer um tempo extraordinário para ser analisado adequadamente. A audiência foi finalizada em dezembro do ano passado, mas o silêncio permanece até hoje, com expectativa de que o resultado surja nos próximos meses.

Além disso, o processo conta com um tribunal formado por três juízes altamente experientes, o que torna a coordenação para a decisão final muito difícil, impactando diretamente na lentidão da resolução. Maguire ainda comentou que a divulgação do veredicto deve ser feita com breve antecedência para que as partes envolvidas possam se preparar, possivelmente até na semana da final da Copa do Mundo, considerando a importância da comunicação e da análise jurídica do caso.

Possíveis sanções e impactos

A amplitude e a seriedade das acusações levaram especialistas a considerar a possibilidade de uma pesada dedução de pontos como a penalidade mais provável caso o Manchester City seja considerado culpado. Maguire destacou que, entre as 115 acusações, muitas envolvem alegações graves, como fraude corporativa, que poderiam resultar não apenas em multa, mas também em penalizações severas na tabela de classificação do clube. Exemplo disso são os casos recentes do Everton e Nottingham Forest, que receberam deduções modestíssimas de seis e quatro pontos, respectivamente, para infrações que envolveram períodos muito mais curtos. No caso do City, com uma duração de nove anos para as alegações, a dedução entre 40 a 60 pontos seria “lógica e consistente” com precedentes anteriores.

Porém, a situação do Manchester City vai além de uma simples questão administrativa. Caso as acusações se confirmem, o clube poderá ter que promover uma reestruturação completa em sua diretoria, com possível saída dos membros da atual gestão. Essa medida seria necessária para preservar a integridade do futebol inglês, especialmente considerando que o City é participante ativo da Premier League e acionista da própria liga. A situação lembra casos como o da Juventus na Itália, que viu sua diretoria afastada após denúncias envolvendo irregularidades nos salários dos jogadores.

Riscos de rebaixamento e o futuro do clube

Apesar de haver especulações sobre a expulsão do Manchester City da Premier League, isso não é possível diretamente pela liga inglesa, pois os rebaixamentos para divisões inferiores ficam sob responsabilidade da EFL, entidade que ainda não acusou formalmente o clube. Por outro lado, o que está em aberto é a possibilidade de o clube sofrer uma dedução de pontos tão significativa que o leve a acabar na zona de rebaixamento ao final da temporada, causando uma queda forçada à segunda divisão.

Christian Purslow, ex-chefe da Premier League, alerta que um impacto de grande magnitude na pontuação do City poderia ser equivalente a um rebaixamento "por via indireta". Ele defende que o melhor caminho é aguardar a resolução pelos advogados, respeitando o precedente das sanções esportivas, o que reforça a ideia de que uma dedução expressiva de pontos seria a punição mais provável e justa caso a Premier League decida condenar o clube.

Atualmente, o Manchester City está na segunda posição da Premier League, cinco pontos atrás do líder Arsenal, e segue avançando em competições importantes como a Liga dos Campeões, a FA Cup e a Carabao Cup. A espera pelo veredicto tem causado incertezas, pois qualquer penalização severa poderá transformar radicalmente o cenário esportivo do clube e de seus torcedores.

O desfecho dessa situação é aguardado com atenção na comunidade do futebol Mundial. Abaixo da superfície da disputa dentro de campo, uma batalha jurídica de grandes proporções se desenvolve no Etihad Stadium, com repercussões que podem alterar não só a temporada em curso, mas também o futuro institucional e esportivo do Manchester City.

Tiago Sampaio

Ex-jogador profissional de futsal e editor-chefe do Giro Desportivo. Atua com foco em análise tática, mercado da bola e bastidores do futebol.

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