Tottenham tenta escapar do rebaixamento em lista das sete quedas mais chocantes da Premier League

O Tottenham vive atualmente uma situação preocupante na Premier League, lutando para escapar da zona de rebaixamento em uma temporada que muitos não previam ser tão difícil. Após uma derrota contundente por 4 a 1 para o Arsenal, os Spurs permanecem apenas quatro pontos acima da zona de queda, com 11 partidas ainda por disputar. A troca de comando, com Igor Tudor substituindo Thomas Frank, nem de longe garantiu a recuperação esperada, já que o time apresenta falta de qualidade e confiança, fatores essenciais para uma reação.

Embora ainda falte mais de um quarto da temporada, o cenário é desafiador. O retorno de jogadores lesionados e suspensos traz alguma esperança, mas os concorrentes na luta contra o rebaixamento somam pontos e parecem se fortalecer para escapar do perigo. A equipe londrina está diante de uma prova de fogo para provar que é "boa demais para cair", conceito que muitos consideravam fora de cogitação no começo da temporada.

Normalmente, times com a estrutura e o talento do Tottenham parecem destinados a permanecer na elite, especialmente após terem terminado a última temporada na 17ª colocação e com o elenco à disposição de Tudor parecendo competitivo. No entanto, o clube já mostrou que, sem manter um padrão mínimo de desempenho, nem mesmo os mais tradicionais estão imunes ao risco da queda. A instabilidade atual faz recordar alguns dos rebaixamentos mais chocantes da história recente da Premier League, episódios que surpreenderam fãs e especialistas pela inesperada queda de equipes que, à primeira vista, pareciam inalcançáveis para a zona de rebaixamento.

Norwich City (1994-95)

O Norwich City, que para muitos fãs mais jovens parece apenas um time de menor expressão, já foi protagonista de uma das histórias mais impressionantes da liga. Após a temporada inaugural da Premier League, em 1993-94, o clube terminou em terceiro lugar, ganhando, assim, uma vaga na competição europeia. Contudo, a empolgação durou pouco: em 1994-95, o Norwich chegou ao Ano Novo ocupando a sétima posição, mas uma queda vertiginosa na segunda metade da temporada culminou no 20º lugar entre 22 times e, consequentemente, no rebaixamento.

Fatores como a venda de atacantes decisivos, a lesão do goleiro Bryan Gunn, e os protestos da torcida contra o proprietário Robert Chase marcam o episódio de um time que parecia ter tudo para se estabilizar na elite, mas sucumbiu inesperadamente.

Middlesbrough (1996-97)

Outra história dramática foi a do Middlesbrough em 1996-97. A equipe, com estrelas como os brasileiros Juninho e Emerson e o atacante italiano Fabrizio Ravanelli, alcançou duas finais de Copa e mantinha expectativas positivas para a Premier League. A temporada parecia promissora, com o clube em 14º lugar ao final da campanha.

Porém, a decisão administrativa de não cumprir uma partida contra o Blackburn Rovers, devido a um surto de doenças e lesões, resultou na dedução de três pontos. Esse castigo custou caro e levou o Middlesbrough a cair para a zona de rebaixamento no último dia, um desfecho que chocou os torcedores e o futebol inglês.

Blackburn Rovers (1998-99)

Após conquistar a Premier League em 1995, o Blackburn Rovers era considerado um dos times com equilíbrio para brigar nas primeiras posições. Porém, na temporada 1998-99, o clube sofreu para engrenar, vencendo apenas dois dos 15 primeiros jogos.

Com a demissão precoce do técnico Roy Hodgson e a chegada de Brian Kidd, a equipe mostrou melhoras, mas as frequentes igualdades acabaram não sendo suficientes para evitar o rebaixamento. Esta foi a primeira vez que um campeão vigente da Premier League caiu para a segunda divisão, uma realidade que surpreendeu o cenário esportivo na época.

West Ham (2002–03)

O West Ham passava por um momento de transição em 2002-03, com uma equipe formada por nomes promissores como Jermain Defoe e Joe Cole. Apesar da esperança gerada pelo elenco e o comando de Glenn Roeder, a campanha foi desastrosa, com apenas três vitórias nos primeiros 24 jogos.

A intervenção de Trevor Brooking no comando técnico ladeou os esforços para evitar a queda, mas, infelizmente, o West Ham não obteve o resultado necessário na última rodada e foi rebaixado, encerrando uma década de permanência na elite do futebol inglês.

Leeds United (2003-04)

O Leeds United viveu um declínio vertiginoso após ter chegado às semifinais da Liga dos Campeões em 2001. Os gastos excessivos de Peter Ridsdale resultaram em problemas financeiros graves, e, apesar de manter um elenco com talentos como Mark Viduka e James Milner, o clube não conseguiu encontrar consistência na temporada seguinte.

A queda para a segunda divisão foi decretada com duas rodadas de antecedência, um duro golpe para um time que poucos anos antes disputava as principais competições europeias.

Newcastle United (2008-09)

Nos anos 2000, Newcastle ainda mantinha uma base sólida, com nomes como Michael Owen e Alan Shearer, mas em 2008-09 a equipe viveu uma crise administrativa e técnica. A saída turbulenta do técnico Kevin Keegan, conflitos internos e problemas de saúde do treinador Joe Kinnear marcaram o período.

Alan Shearer assumiu o comando a oito jogos do fim, mas a falta de experiência e a instabilidade interna pesaram, culminando no rebaixamento do Newcastle, que até então era um clube histórico da Premier League.

Leicester City (2022-23)

Mais recentemente, o campeão inesperado da Premier League em 2016, Leicester City, enfrentou um destino surpreendente. Em 2023, o clube protagonizou uma queda que chocou o futebol inglês, sendo rebaixado após ter conquistado a FA Cup e terminando entre os cinco melhores da liga apenas alguns anos antes.

A falta de reforços e a perda do entusiasmo do técnico Brendan Rodgers contribuíram para o desastre, deixando um elenco qualificado, com jogadores como Jamie Vardy e James Maddison, sem forças para evitar a queda.

Esses exemplos históricos mostram que o caminho do Tottenham rumo à sobrevivência na Premier League é repleto de desafios. A trajetória passa pela superação de adversidades internas, recuperação de jogadores chave e amadurecimento do elenco sob o comando de Igor Tudor. Rebaixamentos que pareciam impossíveis aconteceram antes, e o Tottenham sabe que não pode menosprezar nem um momento

Tiago Sampaio

Ex-jogador profissional de futsal e editor-chefe do Giro Desportivo. Atua com foco em análise tática, mercado da bola e bastidores do futebol.

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