Veteranas, novatas e rivalidades: 5 pontos-chave do duelo entre EUA e Argentina na SheBelieves Cup

A seleção feminina de futebol dos Estados Unidos está pronta para abrir sua participação na SheBelieves Cup 2026 com um duelo importante contra a Argentina, envolvendo veteranas, novatas, disputas por posição e curiosidades familiares. Rebobinando a história e analisando o cenário atual da equipe americana, cinco pontos-chave destacam o que esperar desse confronto inicial do torneio. A SheBelieves Cup, que já está em sua 11ª edição, reúne os Estados Unidos, Argentina, Canadá e Colômbia em uma competição que serve de teste e preparação para as eliminatórias da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027.

O comando da equipe americana está nas mãos de Emma Hayes, treinadora que acumula bom retrospecto na competição, com 27 vitórias, 3 empates e apenas 2 derrotas desde que assumiu. Essa será sua segunda participação na SheBelieves Cup, que acontecerá em três cidades diferentes ao longo da semana, começando pelo GEODIS Park, em Nashville, Tennessee, onde os Estados Unidos enfrentarão a Argentina pela segunda vez nessa competição. A relação histórica entre as duas seleções mostra predominância clara dos EUA, que venceram seis dos sete confrontos anteriores, inclusive uma vitória por 3 a 1 há dois anos no Kentucky.

Trio supercapacitado: Emily Sonnett, Lindsey Heaps e Rose Lavelle

Um dos pontos fortes da equipe americana é o equilíbrio entre experiência e talento jovem. Entre as veteranas, destacam-se Emily Sonnett, Lindsey Heaps e Rose Lavelle, que juntas somam 399 partidas pela seleção dos EUA. Sonnett tem um fato notório: é a única jogadora que participou de todas as 11 edições da SheBelieves Cup. Heaps, por sua vez, tem momentos memoráveis na história do torneio, especialmente seus gols decisivos contra o Japão em 2020 e 2024.

Rose Lavelle é outro nome de peso, tendo participado da competição sete vezes e conquistado o prêmio de MVP na edição de 2021, graças ao gol da vitória no jogo de abertura. Essas três atletas carregam a experiência necessária para guiar a equipe nos momentos decisivos, combinando liderança, técnica e conhecimento do torneio.

Poder dos novatos

Enquanto as veteranas lideram, nove jogadoras da atual convocação disputarão a SheBelieves Cup pela primeira vez, mostrando que o futuro da seleção está em boas mãos. Entre elas estão Maddie Dahlien, Riley Jackson, Jordyn Bugg, Lilly Reale, Kennedy Wesley, Kate Wiesner, Jameese Joseph, Claudia Dickey e Phallon Tullis-Joyce. A maior parte dessas jogadoras estreou na seleção principal entre 2025 e 2026, com a exceção de Lilly Reale, que chegou recentemente após boas atuações no Gotham FC na FIFA Women’s Champions Cup.

Durante o processo de convocação houve algumas substituições, com Emily Sams entrando no lugar de Jordyn Bugg e Avery Patterson substituindo Kate Wiesner, mantendo o equilíbrio entre juventude e experiência. Notavelmente, doze integrantes da equipe têm dez ou menos partidas pela seleção, indicando o incentivo de Emma Hayes para integrar novas promessas que trarão energia e versatilidade para o grupo.

Reunião das irmãs Thompson

Uma particularidade interessante do elenco dos EUA é a presença de irmãs jogando juntas, e isso não é novidade para a torcida: a dupla formada por Alyssa Thompson e Gisele Thompson volta a estar lado a lado nas competições internacionais. Elas são a terceira dupla de irmãs a representar as cores dos Estados Unidos no futebol feminino e já jogaram juntas na última SheBelieves Cup, além de atuarem pelo Angel City FC na liga nacional.

Alyssa Thompson atualmente joga como atacante no Chelsea, enquanto sua irmã Gisele atua como lateral. Juntas, já começaram duas partidas na seleção e têm contribuído significativamente para os resultados da equipe. Este aspecto familiar não só cria uma dinâmica especial dentro do elenco, como também potencializa a conexão tática e a comunicação em campo.

Batalha externa e versatilidade nas laterais

O setor de laterais da seleção dos EUA mostra um grande leque de opções para Emma Hayes. Jogadoras como Lilly Reale, que foi eleita Jovem Jogadora do Ano pela Federação Americana de Futebol, surpreendem com sua capacidade defensiva e ofensiva, assim como a atacante que migrou para a lateral, Avery Patterson. Gisele Thompson e Emily Sams também são destaques nessa posição, além de Tara Rudd e Kennedy Wesley, que possuem a capacidade de atuar por ali caso necessário.

Considerando o estilo agressivo e ofensivo adotado pela equipe americana, com alas rápidas e presença constante no ataque, a disputa pela lateral esquerda deve ser uma das principais atrações do time, com Hayes podendo experimentar variações táticas para consolidar a defesa e criar superioridade ofensiva antes das eliminatórias.

Confronto direto pela camisa 9 e talento nas pontas

Contando com a ausência de jogadores como Sophia Wilson e Catarina Macario, que poderiam ser candidatas naturais para a camisa 9, a seleção americana dispõe de outras atletas aptas para a função. Ally Sentnor, Jaedyn Shaw e Jameese Joseph são nomes que já atuaram como centroavantes e mostraram capacidade de segurar a bola sob pressão e criar chances perigosas no terço final do campo.

Nas pontas, o elenco conta com velocidade e habilidade de Alyssa Thompson, Trinity Rodman, Emma Sears e Maddie Dahlien, garantindo opções para dribles, jogadas individuais e cruzamentos que podem fazer a diferença em partidas tão equilibradas como as da SheBelieves Cup. Essa variedade no setor ofensivo permite que Hayes alterne o estilo de ataque sem perder poder de fogo, beneficiando a equipe com mudanças rápidas e efetivas durante os jogos.

Com esse panorama, a estreia da seleção feminina dos EUA contra a Argentina na SheBelieves Cup 2026 promete ser um duelo recheado de emoção, talento e muita disputa, não só dentro das quatro linhas, mas também na formação do grupo e na busca por oportunidades individuais e coletivas. Será mais uma etapa importante rumo às grandes competições internacionais que estão por vir.

Tiago Sampaio

Ex-jogador profissional de futsal e editor-chefe do Giro Desportivo. Atua com foco em análise tática, mercado da bola e bastidores do futebol.

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